BlueBus - As informações distribuídas pelo IBGE na semana passada sobre o desempenho do comércio brasileiro em junho parecem boas - o volume de vendas cresceu 1,3% sobre maio e o acumulado do 1o semestre supera o do mesmo período de 2007 em quase 11%. Porém, um olhar mais atento aos números da Pesquisa Mensal do Comércio mostra que a euforia do consumo no país já nao é mais a mesma. No 2o trimestre de 2008, o crescimento (9,4%) foi menor do que o do 1o trimestre (11,8%). A maior parte da culpa pela desaceleraçao do consumo das famílias é mesmo do setor de alimentos e bebidas, que tinha crescido 8,4% nos primeiros 3 meses do ano e que expandiu-se somente 3,4% no 2o trimestre. Vestuário e calçados e produtos farmacêuticos e de perfumaria também perderam fôlego entre abril e junho, meses que são tradicionalmente fortes em funçao do Dia das Mães e do Dia dos Namorados. A explicação para essa pisada no freio é a subida da inflação. Para você ter uma idéia, enquanto o volume de vendas nos hipermercados subiu 1,5% na comparação entre junho de 2007 e 2008, as receitas desse setor aumentaram 15,6%. A conclusão é que precisamos de mais reais para comprar a mesma quantidade de produtos, o que reduz a capacidade do consumidor de adquirir itens supérfluos. Curiosamente, segmentos como móveis e eletrodomésticos, equipamentos de informática e comunicação, veículos e material de construção continuam em expansão acelerada, mostrando que os brasileiros podem até deixar de comprar iogurtes, xampus e roupas, mas não estão dispostos a abrir mão das melhorias nas suas casas e nas suas vidas.

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