Semana passada postei um artigo aqui no site sobre a pesquisa da People & the Press sobre o consumo de notícias. Fiquei espantada com os resultados que indicaram que a queda na leitura das versões impressas de jornais foi maior que o ganho na leitura das edições online. No final de semana, para completar, li um artigo do Slate intitulado “O que está matando os jornais?”. No início fiquei assustada com o título. Lembram quando surgiu o videocassete? Todos diziam que ele mataria a indústria do cinema. Hollywood até tentou boicotar o produto. Pois bem, matou? Não. Mais tarde, com o surgimento da internet, especulava-se que ela mataria a mídia impressa. Matou? Obviamente que não.
É preciso muito cuidado ao analisar essas questões. Apesar de as vendas de jornais e revistas terem caído (inúmeras pesquisas tem comprovado isto), eles não desaparecerão. O que acontece é que precisarão, como toda a empresa, se adaptar às mudanças da tecnologia e da sociedade. Mas como fazer isso? Antes de qualquer coisa, para vencer é preciso analisar o cenário. E, para tanto, precisamos saber:
O que está causando essa queda na audiência dos jornais?
Os jornais estão perdendo o que chamamos de ”Social Currency” (capital social, em português). Mas por que? As razões são várias. A informação hoje em dia não está concentrada em apenas uma mídia, em apenas um jornal. Lembram do tempo em que era preciso comprar um jornal ou revista para saber o que estava acontecendo no mundo? Com o advento da internet, basta digitar um endereço e voi lá, com apenas um clique você tem edições inteiras de jornais e revistas à disposição.
>> Veja a opinião de donos de bancas de jornais. Se o vídeo não baixar, clique aqui.
Além do que, muitas vezes essas notícias são veiculadas muito mais rapidamente na internet do que na mídia impressa. Para quem não gosta de ler as notícias, há milhares de canais de televisão que transmitem programas gravados e/ou ao vivo, inclusive noticiários. E eles podem ser vistos no horário em que for mais conveniente para você. Lembra do que falamos neste artigo? Com a proliferação de dispositivos portáteis de alta tecnologia, que permitem acessar TV e canais de vídeo na internet, então…
O que fazer para vender mais, mantendo a qualidade?
Padrão de qualidade e confiabilidade, segmentação e diferenciação são algumas das alternativas, que fazem com que alguns jornais sejam referências nas suas áreas. Gazeta Mercantil e Valor Econômico, por exemplo, cujas as análises e previsões sobre o mercado, que são fundamentais para quem trabalha com marketing e negócios, são muito bem elaboradas e se constituem em um diferencial bem mais difícil de ser copiado do que apenas preço. Lembram do Seth Godin?
Outra coisa que sempre questionei, principalmente depois que vim para São Paulo, é o tamanho e a portabilidade dos jornais. Muita gente já começou a notar que o formato de jornal com vários encartes, além de caro é muito pouco portável e a quantidade de informação que há nele é quase impossível de ser lida em um único dia (isso se você trabalha dia e noite, estuda, come, dorme…). Além do que, e também já falamos sobre isso aqui, a sociedade tenderá a cobrar um uso mais racional para o papel (sustentabilidade, meio-ambiente…). Proporcionar edições mais enxutas e baratas do jornal pode ser uma saída. Mas não deve ser a única…
Utilizar a internet para estreitar o relacionamento com o leitor e aumentar o valor de marca é fundamental! Comunidades, sites, blogs… tudo isso pode ser bem aproveitado por jornais (desde que com o planejamento e execução corretos). Um dos grandes trunfos dos jornais que já estão consolidados no mercado é a reputação de fonte de informação confiável e relevante. Um exemplo de estratégia pode ser casar a agilidade da internet com as ferramentas que ela disponibiliza e oferecer material extra sobre matérias do jornal, blogs, comunidades, slideshows, podcasts, videocasts…
>> E fica aqui uma dica de site sobre essa questão. O Newspapernext - http://www.newspapernext.org/.
Quem não tiver uma boa estratégia não permanecerá para contar a história.

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