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A indústria de e-books

Ontem a Amazon lançou a nova versão do Kindle, seu dispositivo para leitura de e-books (livros eletrônicos). Imagens e vídeos desse lançamento podem ser vistos nesta página da Amazon e nesta página do Mobileread (que disponbilizou, em alta resolução, várias imagens do Kindle).

Eu, que sou uma leitora voraz, e diferente de 99% das pessoas que conheço, adoro ler livros no formato e-book (tanto que inclusive transformei meu primeiro livro de poesias para este formato e o publiquei também na internet). Tudo isso, e somado ao post que escrevi sobre os audiobooks, fez com que eu refletisse sobre o mercado para os livros eletrônicos. Já há algum tempo venho comentando com meu marido sobre a pequena presença de editoras exclusivas de e-books no Brasil e meu interesse em criar uma editora nesses moldes (ou trabalhar em alguma), uma vez que, além de conhecimentos em marketing e gestão de negócios (inclusive finalizando minha segunda pós-graduação na ESPM), também gosto e tenho muito interesse pelo mercado editorial.

Movida por esse grande interesse e uma enorme curiosidade sobre o porquê desse mercado ainda ser muito pequeno (principalmente no Brasil), li e pesquisei muito à respeito do mercado, do público consumidor, das vantagens e desvantagens dos e-books e das dificuldades presentes, tanto para os consumidores quanto para as editoras e empresas criadoras de dispositivos para leitura de livros digitais.

Foi então que me deparei com uma sugestão de leitura do Timothy Ferriss: o artigo “The once and future e-book: on reading in the digital age“, escrito por John Siracusa, que trabalhou nesse meio, na “Peanut Press”. Esse artigo é realmente maravilhoso e muito esclarecedor com relação ao porquê dessa indústria ainda caminhar a passos lentos. Como o próprio subtítulo do artigo cita, “John olha para o passado, o presente e o futuro de ler livros em dispositivos que não são livros.” Abaixo, compartilho com vocês um resumo contendo as principais informações presentes nesse artigo:

1º) Algumas das causas pelas quais os e-books ainda representam pouca vendagem (comparado com os livros impressos):

- A maioria dos dispositivos para leitura de e-books são caros, pesados, pouco portáteis, não tão intuitivos de usar (como um iPod, por exemplo), não oferecem a sensação que a presença física de um livro provoca (o tato, o cheio do livro e a possibilidade de ver facilmente o progresso - ou não - da leitura, por exemplo). Também, ao pensar no preço de um Kindle  e na quantidade de livros que se poderia adquirir por esse valor, torna-se tentador não comprá-lo;

- É desconfortável, para a maioria das pessoas, ler grandes quantidades de textos em telas - principalmente se os escritos forem em fontes muito pequenas;

- A dificuldade que as pessoas têm de diferenciar “dispositivo para leitura de e-books” de “e-books”, ou seja, diferenciar o “dispositivo” do “texto” em si. A era do acesso (de Jeremy Rifkin), por exemplo, continua sendo um livro incrível, quer esteja impresso em papel, quer em uma pequena tela de um celular. Mas, quando não nos sentimos confortáveis com um dispositivo de leitura, não o usamos, independente dos livros maravilhosos que ele poderia armazenar;

- A questão cultural: muitos ainda não adquiriram o hábito de ler livros na tela do computador. O engraçado é que, em um mesmo período de tempo, há pessoas que leem muito mais palavras em sites, blogs e e-mails do que em livros impressos;

- Os e-books ainda são caros, comparados com as versões impressas. E o custo de produção de e-books, porém, é baixíssimo comparado com o da produção de livros impressos. A margem de lucro nos livros digitais é, portanto, muito maior do que nos livros impressos, no entanto seu alto preço contribui para torná-lo pouco vendável (em relação às versões impressas).

John argumenta nesse artigo que a questão cultural tem um peso muito forte na indústria dos e-books e que mudanças culturais levam gerações para se concretizarem. Interessante esta passagem do texto:

“Time and again this happens, and it can happen without changing a single person’s mind. To put it bluntly, people die. Indeed, death is arguably the single most important driver for all human progress. Even in a community as reason-based as science, it’s often necessary to wait for one generation of scientists to die off before a new theory gains mainstream acceptance. It’s a bit much to hold consumers’ text-based media preferences to a higher standard.”

John também escreve sobre as vantagens dos e-books com relação aos livros impressos e que, mesmo com todas essas vantagens, principalmente pelos motivos que vimos acima, essa indústria ainda é muito pequena. São vantagens dos e-books, segundo John:

- Conveniência: Em um único dispositivo de leitura você pode carregar uma coleção de milhares de livros. Ou seja, carregar toda a sua lista de livros para leitura em um único dispositivo e de uma só vez. Também não há necessidade de espaço em estantes ou prateleiras e você nem precisa caminhar até uma loja para comprar livros, basta fazer o download na internet e iniciar a leitura imediatamente. É possível ainda ler em qualquer lugar, a qualquer hora e usando uma única mão;

- Poder: aqui há algo que eu sempre desejo toda vez que leio um livro impresso - uma ferramenta de busca. A possibilidade de buscar onde mais apareceu o nome de uma determinada empresa naquele livro, em que página o autor explicou a definição para uma nova palavra, sem a necessidade de reler o livro para conseguir encontrar. Também a possibilidade de sublinhar e fazer anotações sem comprometer o aspecto do livro;

- Potencial: é muito fácil compartilhar livros digitais e, até mesmo, criar novas versões com resumos, explicações e informações adicionais;

- E, muito importante, você pode ler um e-book sem perturbar a pessoa ao seu lado com o barulho da virada das páginas e mesmo sem a necessidade de uma lâmpada, uma vez que o dispositivo de leitura já possui uma tela com luz suficiente para você ler e, ao mesmo tempo, não incomodar a pessoa ao lado (ótimo em viagens, por exemplo);

- Ainda adicionaria a esta lista de vantagens criada pelo John o fato, muito importante nos dias de hoje, de os e-books não necessitarem da utilização de papel, o que por si só tem um apelo ambientalmente correto.

John acredita ainda que a indústria de e-books crescerá muito nos próximos anos, não invalidando porém a existência dos livros impressos (como profetizado por algumas pessoas quando os primeiros e-books começaram a aparecer). Até porquê, são públicos com características distintas.

Assim, a maior vantagem segundo John, seria as próprias editoras de livros em versões impressas oferecerem paralelamente versões eletrônicas (e mais baratas) dos seus livros, criando assim suas próprias editoras e lojas de e-books. Fica aqui a dica: aproveitando também a crise econômica mundial, essa seria uma ótima oportunidade para aumentar a venda de muitos títulos.

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